De volta após 6 meses ausente, mas foi um distanciamento necessário.
Depois de tantos desencontros, desconfianças e brigas, nos separamos e como eu havia previsto, o Rogério se casou com a amiga do Renato. Foi chocante para mim, pois, sempre tive esperanças de voltarmos a viver bem. A realidade era muito distante da minha vontade, eu não dimensionava a quantidade de fatores que seriam necessários para que a nossa história pudesse ter um final feliz. Eu era uma criança, hoje sei disso.
Me vi mais uma vez só e desta vez no Rio de Janeiro e com uma filhinha. Tudo era hostil, sentia medo de viver, não tinha forças e tão pouco estofo de vida para me virar e dar a volta por cima.
Mais uma vez o auxílio mais próximo e confortante eram as drogas. Me afundei nelas, de corpo, alma e espírito.
A mulher do Rogério engravidou, fiquei um pouco estremecida, mas gostei da ideia, afinal a minha filha teria um irmãozinho, no caso irmãzinha, e não teria um futuro tão solitário como eu tive.
Mas voltando a separação; Foi um desastre, peguei a filha e fui para o único lugar onde poderia ir, a casa da minha avó e do meu pai. Fui muito bem recebida por eles, mas me sentia inadequada. O rogério, logo foi nos buscar acenando belos quadros, um apartamento para mim e para a minha filha pertinho dele e alguma segurança. Voltei seduzida pela proposta, pois poderia procurar trabalho e contar com a ajuda da família dele com relação a Andrea.
Nada disso aconteceu, fiquei na casa dos ex sogros até ser expulsa pelos mesmo e como não tinha para onde ir, tive que deixar a filha por lá até conseguir me estabelecer em algum lugar.
Isto também não aconteceu, o desespero, o medo e a insegurança tomaram conta de mim e ... drogas de novo.
Perdi a vontade de fazer qualquer coisa, morava em qualquer lugar, não tinha nada, roupas, documentos, pertences de nenhuma ordem. Fui execrada e me execrei.
Até que chegou o momento do Rogério me propor a separação legal e mais uma vez fui enganada.
O advogado que era dele(naturalmente), mentiu, disse que a guarda da minha filha seria entregue provisoriamente para os avós paternos e que apartir dali eu não receberia mais nem um centavo. Até aí na parte do dinheiro tudo bem, já quase não me ajudava mesmo, eu tinha que implorar alguma ajuda para comer, e com relação a guarda ser provisória também tudo bem, esperava ter uma oportunidade na vida, melhorar e resgatar a minha filha de volta.
Na hora, no tribunal, tudo foi diferente, entendia muito pouco, ou quase nada, mas entendi que a guarda da minha filha seria entregue em definitivo para a família dele. Já não podia fazer mais nada, eles eram grandes e eu insignificante. Levaram a minha filha arbitrariamente, desumanamente.
Passei a não visitar a minha filha com regularidade, era um sofrimento ter hora para visita-la, apesar deles não se incomodarem com visitas a qualquer momento, mas, visitar a minha filha... o que eu tinha de melhor na vida... era demais para esta adicta.
Entendi, que eles queriam a minha filha. Amavam, com certeza, mas ela exerceria uma função vital naquele lar desarmonico e sem amor.
Hoje, agradeço e não tenho nenhum rancor, mágoa talvez por algumas passagens. Deram muita contribuição na educação dela e materialmente nada lhe faltou.
O pai foi, como é até hoje ausente.
Paro por aqui, volto logo.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
Tentativa de voltar a estudar.
Logo que a minha filha nasceu, a minha sogra e marido, se imbuíram do espírito de me fazer retornar aos estudos. Me matricularam em um colégio no Humaitá. Eu comecei a estudar a noite, era estranho e facilitador. Conheci e fiquei amigas de várias pessoas, o meu dedo podre não falhou, os amigos mais próximos eram DQs.
Matava aulas, não entendia nada e detestava estar ali. Eu não sabia, mas sofria de DDA (déficte de atenção), mais um distúrbio.
Não me recordo, mas aprontei algumas e saí do colégio. Parei de estudar, para nunca mais voltar, lastimável...
O que me salvou (culturalmente), era o fato de amar a leitura. Meu pai e a minha avó, eram intelectuais, liam muito, ouviam música clássica, faziam palavras cruzadas, e o papai escrevia, e em vários idiomas. Herdei isto de bom deles.
A vida seguia aos trancos e barrancos. Naquele colégio, fiz uma amiga especial, ela era sem dúvida a minha melhor amiga daquela fase, o nome dela era Marcia. Saí do colégio mas, a amizade continuou.
Me esqueci de citar, que por várias vezes e por vários motivos, moramos no Hotel Santa Teresa, isto será importante mais pra frente.
Voltando ao casamento, tudo ia de mal a pior, brigas, ciúmes, drogas, amigos perturbando. Logo depois do incidente da fazenda em Mangaratiba,o Renato assumiu o namoro com a namorada 2, e começaram a frequentar a minha casa.
Era um terror, eu não suportava a namorada, e pior, ela levava sempre a amiga. Eu intuía, mas era tudo muito confuso, que aquela amiga iria me trazer problemas.
Era sempre humilhada e distratada na minha própria casa, pelas duas imbecis.
O Rogério nada fazia, consequentemente eu ficava cada vez mais agressiva. Hoje compreendo perfeitamente o meu comportamento.
Houve um fato tb muito grave, que por mais que eu tente entender, não entendo.
A mãe do Renato, era uma mulher muito estranha, ela namorava um padre, que mais pra frente, virou ex padre. Este relacionamento, como não poderia deixar de ser, era velado, mas muita gente sabia, principalmente a família dela.
Aconteceu, que ela (acho), tinha um outro namorado, e alguém escreveu uma carta anônima para o padre, foi um tumulto, e quem foi a acusada de ter escrito? Eu, isso mesmo, eu. A minha vida virou um inferno, o Rogério não acreditava em mim, acho que nem a minha sogra, eu não tinha mais como me defender de tamanho absurdo, estava fraca e desolada. Pq me atribuíam tal culpa?
O padre, logo que soube de tamanho disparate, saiu em minha defesa, alegou que, eu jamais teria aquela qualidade de escrita e tanto veneno. Estas declarações, envergonharam a todos que me culpavam, menos a mãe do Renato, que guardaria ódio de mim por mais de 20 anos. Mais tarde foi esclarecido, quem escreveu a tal carta, foi a irmã da mãe. Um horror.
Boa semana,amigos!
Domingo que vem continuo.
Matava aulas, não entendia nada e detestava estar ali. Eu não sabia, mas sofria de DDA (déficte de atenção), mais um distúrbio.
Não me recordo, mas aprontei algumas e saí do colégio. Parei de estudar, para nunca mais voltar, lastimável...
O que me salvou (culturalmente), era o fato de amar a leitura. Meu pai e a minha avó, eram intelectuais, liam muito, ouviam música clássica, faziam palavras cruzadas, e o papai escrevia, e em vários idiomas. Herdei isto de bom deles.
A vida seguia aos trancos e barrancos. Naquele colégio, fiz uma amiga especial, ela era sem dúvida a minha melhor amiga daquela fase, o nome dela era Marcia. Saí do colégio mas, a amizade continuou.
Me esqueci de citar, que por várias vezes e por vários motivos, moramos no Hotel Santa Teresa, isto será importante mais pra frente.
Voltando ao casamento, tudo ia de mal a pior, brigas, ciúmes, drogas, amigos perturbando. Logo depois do incidente da fazenda em Mangaratiba,o Renato assumiu o namoro com a namorada 2, e começaram a frequentar a minha casa.
Era um terror, eu não suportava a namorada, e pior, ela levava sempre a amiga. Eu intuía, mas era tudo muito confuso, que aquela amiga iria me trazer problemas.
Era sempre humilhada e distratada na minha própria casa, pelas duas imbecis.
O Rogério nada fazia, consequentemente eu ficava cada vez mais agressiva. Hoje compreendo perfeitamente o meu comportamento.
Houve um fato tb muito grave, que por mais que eu tente entender, não entendo.
A mãe do Renato, era uma mulher muito estranha, ela namorava um padre, que mais pra frente, virou ex padre. Este relacionamento, como não poderia deixar de ser, era velado, mas muita gente sabia, principalmente a família dela.
Aconteceu, que ela (acho), tinha um outro namorado, e alguém escreveu uma carta anônima para o padre, foi um tumulto, e quem foi a acusada de ter escrito? Eu, isso mesmo, eu. A minha vida virou um inferno, o Rogério não acreditava em mim, acho que nem a minha sogra, eu não tinha mais como me defender de tamanho absurdo, estava fraca e desolada. Pq me atribuíam tal culpa?
O padre, logo que soube de tamanho disparate, saiu em minha defesa, alegou que, eu jamais teria aquela qualidade de escrita e tanto veneno. Estas declarações, envergonharam a todos que me culpavam, menos a mãe do Renato, que guardaria ódio de mim por mais de 20 anos. Mais tarde foi esclarecido, quem escreveu a tal carta, foi a irmã da mãe. Um horror.
Boa semana,amigos!
Domingo que vem continuo.
domingo, 8 de novembro de 2009
A compulsão e a derrocada
Eu já estava novamente nas garras da adicção. O perfil da personalidade se modificava à olhos vistos. Sempre fui uma menina doce, de certo modo tímida, cordial e meiga, mas já estava me tornando agressiva, intolerante e irracional.
A anfetamina era essencial para me animar, e precisava de remédios para dormir. Acordava mal humorada e infeliz, aí recorria ao hipofagin para estabilizar o humor, ficava agitadíssima, era uma bola de neve e o Rogério não percebia, pois só me via a noite.
Começaram as brigas. Ele era tudo para mim, mas já não havia mais nenhuma racionalidade, a co-dependência se instalara e o ciumes doentio tb. Até hoje não sei o que era fato ou imaginação. Os amigos não davam trégua, as interferências eram fortes e prejudiciais ao relacionamento do casal. O Rogério começava a perceber a enrascada em se havia metido, a pouca idade e o entusiasmo da paixão o levaram a uma dolorosa experiência prematura.
Ele (Rogério), começava a negligênciar os compromissos do casamento, chegava tarde e por uma ou duas vezes não dormiu em casa. Em uma destas vezes em que não dormiu em casa, no dia seguinte havia um almoço na casa da minha sogra, ele chegou no final da tarde, não sei como consegui me controlar, mas quando chegamos na nossa casa, descarreguei toda a fúria contida. O meu cunhado na ocasião, havia nos levado em casa e foi a vítima. Arremessei um vaso grande na direção do Rogério, ele desviou e acertei em cheio na cabeça do Claudio, este teve um corte profundo na testa e perdeu os sentidos. Foi o começo do fim.
Eu já percebera, mesmo muito vagamente, que havia algo de errado comigo.
Vou recuar um pouco no tempo. Lá no interior mineiro, onde eu morava com a vovó, eu manifestava alguns sinais de distúrbio, além daquela cena pavorosa com o papai, me envolvi em outra situação grave. A família nunca soube como aconteceu de fato, aliás ninguém. A cidade era Sete Lagoas, havia uma corrida de motos em torno da lagoa central, era um evento e tanto. Combinei com algumas amigas e fomos, chegando lá, as motos estavam aquecendo os motores e correndo para lá e para cá, numa distração das amigas, me joguei na frente de uma moto. O saldo foi bem negativo, me cortei toda, fiquei em frangalhos. Acho que queria morrer.
Fazíamos loucuras quando nos drogavamos, as vezes saíamos do perímetro urbano e íamos para as fazendas próximas, isto quando chovia, pois era a época dos cogumelos. Levávamos docinhos de leite e comíamos in natura mesmo, nada de chá. Voltávamos já ao anoitecer e o caminho era a estrada desativada oficialmente que ligava BH a Brasília, mas ela ligava 5 ou 6 cidades, ou seja tinha movimento. Me recordo de um destes finais de tarde, a lua ia alta e cheia, a onda era alta tb, resolvemos deitar exatamente no meio da estrada e ficar viajando. Preocupação nenhuma e proteção total do Poder Superior. Eu vivia desafiando a morte.
Também fui vítima de muitas armadilhas criadas por "amigos" e da própria vida.
Já casada e com a filhinha ainda bebe, aceitamos um convite do Renato e da namorada (outra, não menos pior do que a anterior) para uma viagem de fim semana. Era uma fazenda na serra de Mangaratiba de um amigo dela (vou chama-la de namorada 2). Lugar muito interessante, e estava cheio de convidados. Recebemos o nosso quarto e nos instalamos. Eu, nesta época ainda não havia retornado as drogas, estava limpa e feliz.
O Rogério já enturmado, eu meio deslocada, até pq, a namorada 2 não fez questão alguma de me apresentar as pessoas. De vez enquando eu procurava o Rogério e ele me procurava, neste meio tempo, eu explorava a natureza. A noite caiu e eles fizeram uma enorme fogueira em volta da lagoa, todos bebiam e se drogavam, eu ficava cada vez mais deslocada. A namorada 2, tinha uma amiga muito antipática e bonita, e já estava intima do Rogério, mas me ignorava. Com o passar do tempo e a loucura crescida, todos menos eu, ficaram nus na fogueira. Fiquei na sala e adormeci, a luz era de lampião, acordei com caricias sob a minha calcinha, permiti crendo que era o Rogério, mas não era, era o dono da casa.
Levantei num salto e corri para a fogueira e para o lado do Rogério. Ele estava doido, mas percebeu que havia algo de errado comigo, me inquiriu, eu dissimulei, disse que havia tido um pesadelo. Fui para o quarto e me tranquei. Quase amanhecendo o Rogério bateu na porta achando muito estranho eu estar trancada, e ainda querendo saber o que havia acontecido, comecei a chorar e acabei relatando.
Hoje,percebo que não deveria ter contado, pois a reação dele foi a pior possível, procurou o cara, e quando achou, bateu muito nele, eram chutes com o coturno, socos e sei lá o que mais. Eu estava apoplética.
Começamos a arrumar as coisas para voltar, o Renato, a namorada 2 e a amiga, voltariam conosco. A viagem de volta inteira, fui agredida verbalmente pelas duas, e o Rogério não me defendeu. Foi um pesadelo.
Paro por aqui, estou tremendo com estas lembranças...
Abraços, queridos amigos, obrigada por dividirem comigo este passado doloroso.
Dor dividida é dor diminuída.
A anfetamina era essencial para me animar, e precisava de remédios para dormir. Acordava mal humorada e infeliz, aí recorria ao hipofagin para estabilizar o humor, ficava agitadíssima, era uma bola de neve e o Rogério não percebia, pois só me via a noite.
Começaram as brigas. Ele era tudo para mim, mas já não havia mais nenhuma racionalidade, a co-dependência se instalara e o ciumes doentio tb. Até hoje não sei o que era fato ou imaginação. Os amigos não davam trégua, as interferências eram fortes e prejudiciais ao relacionamento do casal. O Rogério começava a perceber a enrascada em se havia metido, a pouca idade e o entusiasmo da paixão o levaram a uma dolorosa experiência prematura.
Ele (Rogério), começava a negligênciar os compromissos do casamento, chegava tarde e por uma ou duas vezes não dormiu em casa. Em uma destas vezes em que não dormiu em casa, no dia seguinte havia um almoço na casa da minha sogra, ele chegou no final da tarde, não sei como consegui me controlar, mas quando chegamos na nossa casa, descarreguei toda a fúria contida. O meu cunhado na ocasião, havia nos levado em casa e foi a vítima. Arremessei um vaso grande na direção do Rogério, ele desviou e acertei em cheio na cabeça do Claudio, este teve um corte profundo na testa e perdeu os sentidos. Foi o começo do fim.
Eu já percebera, mesmo muito vagamente, que havia algo de errado comigo.
Vou recuar um pouco no tempo. Lá no interior mineiro, onde eu morava com a vovó, eu manifestava alguns sinais de distúrbio, além daquela cena pavorosa com o papai, me envolvi em outra situação grave. A família nunca soube como aconteceu de fato, aliás ninguém. A cidade era Sete Lagoas, havia uma corrida de motos em torno da lagoa central, era um evento e tanto. Combinei com algumas amigas e fomos, chegando lá, as motos estavam aquecendo os motores e correndo para lá e para cá, numa distração das amigas, me joguei na frente de uma moto. O saldo foi bem negativo, me cortei toda, fiquei em frangalhos. Acho que queria morrer.
Fazíamos loucuras quando nos drogavamos, as vezes saíamos do perímetro urbano e íamos para as fazendas próximas, isto quando chovia, pois era a época dos cogumelos. Levávamos docinhos de leite e comíamos in natura mesmo, nada de chá. Voltávamos já ao anoitecer e o caminho era a estrada desativada oficialmente que ligava BH a Brasília, mas ela ligava 5 ou 6 cidades, ou seja tinha movimento. Me recordo de um destes finais de tarde, a lua ia alta e cheia, a onda era alta tb, resolvemos deitar exatamente no meio da estrada e ficar viajando. Preocupação nenhuma e proteção total do Poder Superior. Eu vivia desafiando a morte.
Também fui vítima de muitas armadilhas criadas por "amigos" e da própria vida.
Já casada e com a filhinha ainda bebe, aceitamos um convite do Renato e da namorada (outra, não menos pior do que a anterior) para uma viagem de fim semana. Era uma fazenda na serra de Mangaratiba de um amigo dela (vou chama-la de namorada 2). Lugar muito interessante, e estava cheio de convidados. Recebemos o nosso quarto e nos instalamos. Eu, nesta época ainda não havia retornado as drogas, estava limpa e feliz.
O Rogério já enturmado, eu meio deslocada, até pq, a namorada 2 não fez questão alguma de me apresentar as pessoas. De vez enquando eu procurava o Rogério e ele me procurava, neste meio tempo, eu explorava a natureza. A noite caiu e eles fizeram uma enorme fogueira em volta da lagoa, todos bebiam e se drogavam, eu ficava cada vez mais deslocada. A namorada 2, tinha uma amiga muito antipática e bonita, e já estava intima do Rogério, mas me ignorava. Com o passar do tempo e a loucura crescida, todos menos eu, ficaram nus na fogueira. Fiquei na sala e adormeci, a luz era de lampião, acordei com caricias sob a minha calcinha, permiti crendo que era o Rogério, mas não era, era o dono da casa.
Levantei num salto e corri para a fogueira e para o lado do Rogério. Ele estava doido, mas percebeu que havia algo de errado comigo, me inquiriu, eu dissimulei, disse que havia tido um pesadelo. Fui para o quarto e me tranquei. Quase amanhecendo o Rogério bateu na porta achando muito estranho eu estar trancada, e ainda querendo saber o que havia acontecido, comecei a chorar e acabei relatando.
Hoje,percebo que não deveria ter contado, pois a reação dele foi a pior possível, procurou o cara, e quando achou, bateu muito nele, eram chutes com o coturno, socos e sei lá o que mais. Eu estava apoplética.
Começamos a arrumar as coisas para voltar, o Renato, a namorada 2 e a amiga, voltariam conosco. A viagem de volta inteira, fui agredida verbalmente pelas duas, e o Rogério não me defendeu. Foi um pesadelo.
Paro por aqui, estou tremendo com estas lembranças...
Abraços, queridos amigos, obrigada por dividirem comigo este passado doloroso.
Dor dividida é dor diminuída.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Retomada do blog
A minha vida fluia com muita alegria e entusiasmo. Lidava com a inveja, que aliás sempre me acompanhou de perto, coisa que nunca consegui entender, pois tivera tão pouco e ainda assim, era e ainda sou alvo certo da inveja alheia, acho que pela minha alegria nata, minha capacidade de superação e pela minha boa índole.
A minha tão esperada e desejada filha nasceu, cercada por muitos mimos e cuidados. Nasceu com muita saúde e linda, recebeu o nome de Andrea. Era um amor de criança, muito boazinha.
A minha vida nesta época, parecia um conto de fadas, tinha o homem que amava, a filha desejada e segurança. Passeava diariamente no Parque Laje com ela, dividia os cuidados com a minha sogra, que era muito diligente.
A Andrea contava com alguns meses, quando nos mudamos para o apartamento de cobertura que ganhamos dos meus sogros na Tijuca. Lá as coisas começaram a ficar um pouco mais difíceis, eu era finalmente a dona da casa.
Encontrei muita dificuldade em exercer tal função, pois não sabia nada, a vovó não me havia preparado e também não teve tempo, tudo em mim era precoce. Eu tinha apenas 17 anos, uma filha, marido e uma casa. O meu marido tinha uma úlcera duodenal e requeria cuidados especiais com a alimentação, eu por minha vez não tinha, como não tenho até hoje, habilidades culinárias. Começou a ficar difícil, a Andrea exigia muita atenção (como qq bebe), o apartamento era relativamente pequeno, mas dava trabalho. Comecei a negligenciar.
Com o advento do apartamento, os amigos, que nos frequentavam na casa dos meus sogros, o faziam parcimoniosamente por ser a casa dos sogros, mas a coisa ficou muito diferente quanto passamos a ter o nosso lar. Virou a casa da "sogra" todos os dias a casa estava cheia, o Rogério estudava a noite e quando voltava, estava invariávelmente acompanhado de algum amigo e da namorada. Eles dormiam por lá mesmo, o que começou a me aborrecer. Todos usavam drogas e logo eu recomeçaria a me drogar.
A coisa começou devagar, para rapidamente dar espaço a uma compulssão desenfreada. Nada ajudava, ficava sosinha o tempo todo, o Rogério trabalhava período integral e estudava a noite, o endereço era Tijuca, quase ninguém, exeto os malucos (e a noite), iam me visitar, não conhecia ninguém naquele bairro que me parecia hostil. Eu começava a ficar nervosa com qq coisa, a Andrea não gostava de comer, isso me deixava muito aflita, aí eu brigava e dava palmadas nela, depois o remorso me atormentava, percebia que não estava me saindo bem como dona de casa, e várias outras coisas das quais não estava acostumada e tão pouco supus que aconteceriam, estavam acontecendo. Não era um conto de fadas, "era a vida como ela é".
Logo depois que a Andrea nasceu, me receitaram um remédio para ajudar a voltar ao peso anterior. Adorei, o remédio era uma anfetamina, ainda não conhecida por mim. Hipofagim, operava maravilhas na minha "vida", me induzia a uma disposição absurda e sempre tudo estava bem. Quando cheguei ao peso ideal, não conseguia mais viver sem a droga, passei a fazer dele (remédio) uso continuo e de acordo com o meu humor e atividades rotineiras.
Ainda não tinha me dado conta da gravidade da situação e ninguém me sinalizou nada, naquela época, tudo relacionado a drogas e aos seus efeitos, eram ainda ignorados, só havia o tabu.
Continuo em breve.
Só por hoje, estou limpa há 10 anos 8 meses e 22 dias.
Somente pela graça de DEUS, e pouco da minha boa vontade.
A minha tão esperada e desejada filha nasceu, cercada por muitos mimos e cuidados. Nasceu com muita saúde e linda, recebeu o nome de Andrea. Era um amor de criança, muito boazinha.
A minha vida nesta época, parecia um conto de fadas, tinha o homem que amava, a filha desejada e segurança. Passeava diariamente no Parque Laje com ela, dividia os cuidados com a minha sogra, que era muito diligente.
A Andrea contava com alguns meses, quando nos mudamos para o apartamento de cobertura que ganhamos dos meus sogros na Tijuca. Lá as coisas começaram a ficar um pouco mais difíceis, eu era finalmente a dona da casa.
Encontrei muita dificuldade em exercer tal função, pois não sabia nada, a vovó não me havia preparado e também não teve tempo, tudo em mim era precoce. Eu tinha apenas 17 anos, uma filha, marido e uma casa. O meu marido tinha uma úlcera duodenal e requeria cuidados especiais com a alimentação, eu por minha vez não tinha, como não tenho até hoje, habilidades culinárias. Começou a ficar difícil, a Andrea exigia muita atenção (como qq bebe), o apartamento era relativamente pequeno, mas dava trabalho. Comecei a negligenciar.
Com o advento do apartamento, os amigos, que nos frequentavam na casa dos meus sogros, o faziam parcimoniosamente por ser a casa dos sogros, mas a coisa ficou muito diferente quanto passamos a ter o nosso lar. Virou a casa da "sogra" todos os dias a casa estava cheia, o Rogério estudava a noite e quando voltava, estava invariávelmente acompanhado de algum amigo e da namorada. Eles dormiam por lá mesmo, o que começou a me aborrecer. Todos usavam drogas e logo eu recomeçaria a me drogar.
A coisa começou devagar, para rapidamente dar espaço a uma compulssão desenfreada. Nada ajudava, ficava sosinha o tempo todo, o Rogério trabalhava período integral e estudava a noite, o endereço era Tijuca, quase ninguém, exeto os malucos (e a noite), iam me visitar, não conhecia ninguém naquele bairro que me parecia hostil. Eu começava a ficar nervosa com qq coisa, a Andrea não gostava de comer, isso me deixava muito aflita, aí eu brigava e dava palmadas nela, depois o remorso me atormentava, percebia que não estava me saindo bem como dona de casa, e várias outras coisas das quais não estava acostumada e tão pouco supus que aconteceriam, estavam acontecendo. Não era um conto de fadas, "era a vida como ela é".
Logo depois que a Andrea nasceu, me receitaram um remédio para ajudar a voltar ao peso anterior. Adorei, o remédio era uma anfetamina, ainda não conhecida por mim. Hipofagim, operava maravilhas na minha "vida", me induzia a uma disposição absurda e sempre tudo estava bem. Quando cheguei ao peso ideal, não conseguia mais viver sem a droga, passei a fazer dele (remédio) uso continuo e de acordo com o meu humor e atividades rotineiras.
Ainda não tinha me dado conta da gravidade da situação e ninguém me sinalizou nada, naquela época, tudo relacionado a drogas e aos seus efeitos, eram ainda ignorados, só havia o tabu.
Continuo em breve.
Só por hoje, estou limpa há 10 anos 8 meses e 22 dias.
Somente pela graça de DEUS, e pouco da minha boa vontade.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Interrupção temporária
Queridos seguidores, há 2 semanas atrás, caiu um raio muito próximo a minha casa e queimou o meu HD, estou sem máquina.
Não estou tendo tempo no trabalho para voltar a escrever, em breve terei um novo computador, ou assim que disponibilizar de tempo no trabalho, atualizarei.
Peço mil desculpas, mas sou completamente impotente diante das ações da natureza.
Muito obrigada por se interessarem pela minha história e por me estimularem a exorcisar os meus pesadelos.
Beijos carinhosos.
Não estou tendo tempo no trabalho para voltar a escrever, em breve terei um novo computador, ou assim que disponibilizar de tempo no trabalho, atualizarei.
Peço mil desculpas, mas sou completamente impotente diante das ações da natureza.
Muito obrigada por se interessarem pela minha história e por me estimularem a exorcisar os meus pesadelos.
Beijos carinhosos.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
A mamãe apenas aguardava a confirmação do casamento para desencarnar.
A tramitação dos documentos era lenta e complicada, os papeis vinham de MG para o Rio e voltavam, estava sempre faltando alguma coisa, enquanto isso a mamãe definhava.
No dia 16 de janeiro de 1976 ás 10:00 ela falecia e eu me casava.
Houve um almoço para poucos convidados, durante o almoço o clima era de apreensão, todos sérios e cabisbaixos, eu quase não reparei isto, pois estava feliz. O meu então marido e a minha sogra de fato, guardaram segredo até a despedida dos convidados, e logo me deram a notícia. Fiquei perplexa, acho que não acreditava na morte, jamais havia visto uma de perto.
Partimos para BH de carro, chegamos ás 04:00 da manhã e nos dirigimos para o hospital.
Chegando lá, fui direto para a capela onde encontrei um único caixão, era o dela, fiquei parada diante de uma ausência de vida, não entendia o que estava sentindo, mas sentia medo. Havia um véu sobre o rosto, tive vontade de ve-la, mas não tinha coragem, até que consegui e foi a coisa mais impactante que eu já vivera até aquele momento, era chocante a cara da morte, já não tinha mais a mamãe ali. As lágrimas desceram e o Rogério me tirou dali. Foram as únicas lágrimas que chorei, não fui ao enterro e tb nunca soube onde ela foi enterrada. Ali encerraria a minha história com a minha mãe.
De volta ao Rio, a vida me esperava, eu estava feliz e segura, tinha uma família e quase não usava drogas. A nossa vida fluia, tinhamos os amigos de antes e estavamos sempre juntos, o Renato era o amigo que eu realmente gostava, era muito animado, inteligente, a sua compania me agradava muito, mas ele tinha uma namorada terrível, invejosa, feia, maledicente e muito competente nas suas intrigas. Era a parte desconfortável, ela estava sempre entre nos, pois era a namorada do nosso melhor amigo, eu tinha que atura-la, o que fazia com alguma ingenuidade, não percebia toda a sua maldade. Em função das suas intrigas, eu vivia tendo que me justificar e recusando culpas que me eram atribuidas, mas ainda eram aborrecimentos leves.
Eu tinha vontade de ter um filho e participei isto a familia, a minha sogra foi contra, mas já era tarde, eu estava grávida!!! Foi o momento mais sublime da minha vida, eu me sentia plena, tudo pelo que eu já havia passado, me parecia nada diante de tamanho presente de Deus.
Disse adeus as drogas, cigarros e adotei uma vida saudável e durante toda a gravidez foi assim.
Isto, era a manifestação de um bom senso que me impediria de descer muito e garantir o mínimo de dignidade nos anos futuros.
Em breve, novas postagens.
Me sinto feliz por ter vcs para compartilhar a minha vida.
Dor dividida é dor diminuida.
A tramitação dos documentos era lenta e complicada, os papeis vinham de MG para o Rio e voltavam, estava sempre faltando alguma coisa, enquanto isso a mamãe definhava.
No dia 16 de janeiro de 1976 ás 10:00 ela falecia e eu me casava.
Houve um almoço para poucos convidados, durante o almoço o clima era de apreensão, todos sérios e cabisbaixos, eu quase não reparei isto, pois estava feliz. O meu então marido e a minha sogra de fato, guardaram segredo até a despedida dos convidados, e logo me deram a notícia. Fiquei perplexa, acho que não acreditava na morte, jamais havia visto uma de perto.
Partimos para BH de carro, chegamos ás 04:00 da manhã e nos dirigimos para o hospital.
Chegando lá, fui direto para a capela onde encontrei um único caixão, era o dela, fiquei parada diante de uma ausência de vida, não entendia o que estava sentindo, mas sentia medo. Havia um véu sobre o rosto, tive vontade de ve-la, mas não tinha coragem, até que consegui e foi a coisa mais impactante que eu já vivera até aquele momento, era chocante a cara da morte, já não tinha mais a mamãe ali. As lágrimas desceram e o Rogério me tirou dali. Foram as únicas lágrimas que chorei, não fui ao enterro e tb nunca soube onde ela foi enterrada. Ali encerraria a minha história com a minha mãe.
De volta ao Rio, a vida me esperava, eu estava feliz e segura, tinha uma família e quase não usava drogas. A nossa vida fluia, tinhamos os amigos de antes e estavamos sempre juntos, o Renato era o amigo que eu realmente gostava, era muito animado, inteligente, a sua compania me agradava muito, mas ele tinha uma namorada terrível, invejosa, feia, maledicente e muito competente nas suas intrigas. Era a parte desconfortável, ela estava sempre entre nos, pois era a namorada do nosso melhor amigo, eu tinha que atura-la, o que fazia com alguma ingenuidade, não percebia toda a sua maldade. Em função das suas intrigas, eu vivia tendo que me justificar e recusando culpas que me eram atribuidas, mas ainda eram aborrecimentos leves.
Eu tinha vontade de ter um filho e participei isto a familia, a minha sogra foi contra, mas já era tarde, eu estava grávida!!! Foi o momento mais sublime da minha vida, eu me sentia plena, tudo pelo que eu já havia passado, me parecia nada diante de tamanho presente de Deus.
Disse adeus as drogas, cigarros e adotei uma vida saudável e durante toda a gravidez foi assim.
Isto, era a manifestação de um bom senso que me impediria de descer muito e garantir o mínimo de dignidade nos anos futuros.
Em breve, novas postagens.
Me sinto feliz por ter vcs para compartilhar a minha vida.
Dor dividida é dor diminuida.
Assinar:
Postagens (Atom)